domingo, 12 de julho de 2015

PROJETO ROMEU E JULIETA DE RUTH ROCHA

PROJETO ROMEU E JULIETA DE RUTH ROCHA
KELLY  ARTIOLI
MARIA APARECIDA
SILVANIA COELHO
SILVIA RENATA

Trabalho elaborado para a Disciplina de Metodologia da Alfabetização, como exigência parcial de conclusão do 2º Semestre do curso de Pedagogia sob a responsabilidade da Prof.ª Daniela Alonso.

Introdução


Sabendo a importância que o lúdico tem na vida de uma criança, esse trabalho permite mostrar como é possível trabalhar um projeto interdisciplinar. ao ponto de alfabetiza – lá e fazer com que saibam utilizar tudo que aprenderam na escola para vida social.

Entendemos que não basta à criança aprender o alfabeto para ser alfabetizada, e sim, saber fazer uso social de tudo que lhe for ensinado na escola para tornar um cidadão pensante, convicto de suas ideias, consciente de seus atos, cabe ao professor ajudar e orientar nesse processo, que se dá no inicio de sua atividade escolar, trabalhando com o aluno a alfabetização e o letramento de maneira atrativa e descontraída.

Para esse feito nada melhor que começar com o lúdico, afinal quem não gosta de brincar? E melhor ainda é aprender brincando, pois saiba que isso é possível e através desse projeto literário veremos como faze - lo.

Justificativa

Alfabetizar é missão importante para o educador, mas alfabetizar com métodos eficientes, atuais e de forma descontraída é primordial nos dias de hoje.

As crianças não tem interesse na escola por muitos motivos e o principal é que não existe métodos atrativos que os façam sentir prazer ou gostarem de ir à escola, o ensino tradicional ainda está enraizado na maioria das escolas e em seus educadores. Isto afasta cada vez mais o educando do âmbito escolar, pois a rua, os amigos, a televisão, a internet e até mesmo o próprio lar estão cada vez mais interessantes do que a escola, por tratar assuntos que eles gostam da maneira que eles querem.

Por este motivo o projeto literário “Romeu e Julieta” nos deu a possibilidade de aprender a ensinar utilizando o lúdico, que trabalha a interdisciplinaridade, a alfabetização e o letramento sem precisar massacrar o aluno, pois quando envolvemos a brincadeira em suas vidas a aprendizagem vem naturalmente.

Com o lúdico podemos trabalhar todas as disciplinas necessárias para alfabetizar e o projeto literário Romeu e Julieta nos provou isso.

Objetivo Geral

Promover uma proposta de trabalho diferenciado, permitindo que os alunos desenvolvam habilidades nas diversas áreas do conhecimento a partir do projeto literário “Romeu e Julieta” e também ajudá-los a refletir sobre si mesmos através da interação aluno - aluno, aluno - professor e mediação do professor com aluno.

Trabalhar a interdisciplinaridade e também conciliar cognitivo, os sentidos, principalmente a coordenação motora e psicomotora, afetivo e que aprendam a fazer uso social de tudo que o projeto propor.

O Projeto

O tema do projeto escolhido pela professora - Romeu e Julieta de Ruth Rocha – nos faz trabalhar a interdisciplinaridade propondo a alfabetização e o letramento. Para que isso ocorra de maneira eficaz, em cada plano de aula, há o trabalhar do lúdico e da brincadeira que é o que a criança mais gosta de fazer, então, brincando ela aprende.

Como nossas atividades são voltadas ao primeiro ano, eles não brincam sem perceber que estão aprendendo, pelo contrário, é através do pensar que desenvolvem a brincadeira e chegam ao resultado proposto de acordo com o ritmo e o entendimento de cada um. Dessa forma, podemos também perceber algumas questões de dificuldades pessoais a serem trabalhadas com os alunos, como por exemplo, se o aluno só faz a atividade sozinho ou só faz em grupo, se ele consegue dividir o material ou não, se ele aceita opinião e ajuda do outro, se ele opina ou ajuda o outro, se ele distingue as cores, se consegue se concentrar ou perde o foco rapidamente, etc.. Sendo assim, saberemos como será possível trabalhar com cada aluno sem discriminá-lo e sempre o envolvendo em todas as atividades, mostrando a ele que é capaz.


Plano de aula - Artes 

Atividade:

Borboletas com guache.

Objetivo:

· Explorar os sentidos do tato e visão;

· Distinguir cores primárias e secundárias;

· Aperfeiçoar a coordenação motora fina;

· Recordar a história;

· Pintar os personagens da história;

· Desenvolver o lúdico.

Público alvo: 1º ano.

Estratégias:

Após uma aula expositiva dialogada sobre cores primárias e secundárias, fazer com que os alunos relembrem a história de Romeu e Julieta, (Ruth Rocha).

Explicar que, em uma folha de sulfite cada aluno deve desenhar os personagens Romeu e Julieta e pintar com guache, lembrando que o Romeu é de uma cor e a Julieta de outra, fazendo- os pensar e relembrar a história, pois as borboletas devem ser pintadas das cores correta.

Tempo estimado: 2 aulas.

Recursos: Slide, folhas de sulfite, tintas guache e pincéis.

Plano de Aula – Língua Portuguesa 

Conteúdo: Ordem alfabética

Objetivo:

· Desenvolver a coordenação motora;

· Agrupar palavras pela letra que começa cada uma;

· Aceitar a ajuda do colega;

· Aprender melhor o alfabeto;

Atividade: Recortar palavras e colocar em ordem alfabética

Tempo Estimado: 2 aulas

Público Alvo: 1º ano

Estratégia: Após passar o vídeo de Romeu e Julieta ( Ruth Rocha) para as crianças explicar que a história desse livro se passa num canteiro, onde existe muitos tipos de flores. Distribuir para cada criança uma lista de nomes de flores. Pedir para eles sentarem em dupla e recortar os nomes e colocar em ordem alfabética. A seguir colar no caderno.

Recurso: Vídeo, tesoura e cola.


Plano de Aula – Geografia 

Conteúdo: Mapa

Objetivo:

· Comparar o formato do país em questão e comparar com os demais;

· Localizar o país em que ocorreu a história;

· Colorir depois de achá-lo;

· Desenvolver a coordenação motora;

· Instigar o cognitivo.

Público Alvo: 1º ano

Atividade: Identificar no mapa da Europa a Itália e colorir.

Tempo Estimado: 2 aulas

Estratégia: Passar o vídeo de Romeu e Julieta (Ruth Rocha) e a partir daí, com um grande Mapa Mundi, contar onde se passou a história segundo William Shakspear,

Mostrar que a cidade era Verona, no país Itália que fica na Europa.Falar que o formato do país é parecido com uma “bota” , acharão engraçado mas conseguirão identificar o país.Depois , distribuir o mapa da Europa para que localizem a Itália e pinte da cor que quiserem. Quando terminar, trocar com os colegas para verem o trabalho de cada um e pegar de volta o seu para colar no caderno.

Recurso: Vídeo, banner do mapa mundi, lápis de cor e cola.

Plano de Aula – Ciências


Conteúdo: Ciclo das Borboletas

Objetivo:

· Narrar o ciclo das borboletas;

· Esquematizar o ciclo e indicar o local correto de cada figura;

· Falar em que estação do ano isso acontece;

· Distinguir as estações do ano;

· Desenhar a estação do ano em que acontece;

· Trabalhar coordenação motora;

· Desenvolver o lúdico.

Atividade: Organizar o Ciclo das Borboletas.

Público Alvo: 1º ano

Tempo Estimado: 3 aulas

Estratégia: Passar o vídeo do Cocoricó – Metamorfose das Borboletas – e em seguida ler o texto – O ciclo de vida das borboletas. Perguntar o que acharam do vídeo e do texto e deixar que eles se expressem. Depois explicar melhor como acontece o ciclo das borboletas e que estação isso se dá. Distribuir para as crianças as pecinhas de velcro e a folha com o cenário para colocar em ordem o ciclo e depois desenhar a estação que isso acontece ( primavera).


Recurso:  cartolina, velcro, cola quente, cola branca, lápis de cor e sulfite.

 Plano de Aula – História 

Atividade: Desenhar e pintar uma roupa como a que Romeu e Julieta usavam na época da história.

Objetivo:

· Familiarizar-se com as diferentes épocas;

· Conscientizar-se da existência de outros séculos;

· Observar as mudanças culturais;

· Comparar as vestimentas de antigamente com as atuais;

· Aprimorar a coordenação motora fina;

· Desenvolver o lúdico.

Público alvo: 1º ano

Estratégia: Após a leitura de um texto explicativo de como e quando aconteceu a história original de “Romeu e Julieta”, contando detalhes da época em que se passou a história, será entregue a cada criança uma imagem da Barbie e do kem vestidos de Romeu e Julieta para que façam uma comparação das vestimentas daquela época com as dos dias de hoje e depois farão um desenho de como eram as roupas naquele tempo.

Tempo estimado: 2 aulas

Recursos: Texto impresso, imagem da Barbie e do Kem impressa, folha em branco, lápis, borracha, canetinha e lápis de cor.

Plano de Aula – Matemática

Conteúdo: Sequência numérica

Objetivo:

Saber os próximos números a partir do número 1;

Completar a sequência numérica até formar a figura;

Participar da atividade de maneira colaborativa;

Aceitar opinião do colega;

Desenvolver a coordenação motora.

Atividade: Ligue os pontos.

Público Alvo: 1º ano

Tempo Estimado: 1 aula

Estratégia: Trabalhar os numerais em sala de aula ( sequencias numéricas -antecessor e sucessor ). Lembrá-los da história que estamos vendo de Romeu e Julieta de Ruth Rocha, entregar a atividade e mostrar que ali há uma figura referente à história, o que será? Sugerir que sentem em dupla para aplicar o que aprenderam na aula.
Recurso: Lousa, giz, sulfite e lápis de cor.

sábado, 11 de julho de 2015

Julgamento

Uma garota segurava em suas maos duas maçãs. Sua mãe entrou e lhe pediu com uma voz doce e um belo sorriso: " querida, voce poderia dar uma de suas maçãs para mamãe?" A menina levanta os olhos para sua mãe durante alguns segundos, e morde subitamente uma das maçãs e logo em seguida a outra. A mãe sente seu rosto se esfriar e perde o sorriso. Ela tenta não mostrar sua decepção quando sua filha lhe dá uma de suas maçãs mordidas. A pequena olha sua mãe com um sorriso de anjo e diz: " É essa a mais doce."
Pouco importa quem você é, que você tenha experiencia, seja competente ou sábio. Retarde sempre o seu julgamento. Dê aos outros o privilégio de poder se explicar. Mesmo se a ação parece errada, o motivo pode ser surpreendente...

PLANO DE AULA

Plano de Aula
PAULA PERAL GALHARDO DE SOUZA 
Atividade: Livro de Atividades Romeu e Julieta


Objetivos Gerais:

ü Desenvolver um livro contendo as disciplinas de Português, Matemática, Artes, CiênciasHistória e Geografia. As atividades de cada matéria são lúdicas relacionadas as borboletas.
ü  Ilustrar as fases da vida da borboleta através da metamorfose;
ü  Resolver situações problema de matemática;
ü  Apresentar o Artista Romero Brito e Colorir uma de suas obras;
ü  Utilizar o poema "As Borboletas" nas atividades de Português.


Objetivos Específicos: Desenvolvimento das Atividades de Português


ü  Recitar o Poema de Vinicius de Moraes
ü  Permitir que as crianças interajam com o livro
ü  Trabalhar a escrita através das letras móveis
ü  Ler o Alfabeto
ü  Discriminar Vogais e Consoantes


Público Alvo: 1º Ano

Tempo Estimado: 1 Aula

Estratégia:
ü  1º Momento: Fazer a Leitura do Poema As Borboletas de Vinicius de Moraes
ü  2º Momento: Pedir para as crianças escrevem as palavras que aparecem no poema utilizando as letras móveis.
ü  3º Momento: Ler o alfabeto junto com as crianças em voz alta
ü  4º Momento: Discriminar as vogais e consoantes

Recursos: Leitura, Letras Móveis, Livro Lúdico.

Justificativa: A criança aprende brincando, através de atividades lúdicas que despertam sua imaginação, criatividade, curiosidade e inventividade.
Avaliação: Contínua, durante todo o projeto.






sábado, 13 de junho de 2015

O CEGO E O CAÇADOR

CURSO - HORA DO CONTO


Neuropsicopedagoga Daniela Alonso Vieira

O Cego e o Caçador
 
Era uma vez um homem cego que morava numa palhoça, com sua irmã, numa aldeia na orla da Floresta. Esse homem era muito inteligente. Apesar de seus olhos não enxergarem nada, ele parecia saber mais sobre o mundo do que as pessoas cujos olhos viam tudo. Costumava sentar-se à porta de sua palhoça e conversar com quem passava. Quando alguém tinha problemas, perguntava-lhe o que fazer e ele sempre dava um bom conselho. 
Quando alguém queria saber alguma coisa, ele dizia, e suas respostas eram sempre corretas. As pessoas balançavam a cabeça, admiradas:
 - Como é que você consegue saber tanta coisa, sem enxergar? 
E o cego sorria, dizendo: 
- É que eu enxergo com os ouvidos. 
Bem, um dia a irmã do cego se apaixonou. Ela se apaixonou por um caçador de outra aldeia. E logo o caçador se casou com a irmã do cego. Depois da festa de casamento, o caçador foi morar na palhoça, com a esposa. Mas o caçador não tinha paciência com o irmão da mulher, não Tinha nenhuma paciência com o cego. 
- Para que serve um homem cego? - ele dizia.
 E a mulher respondia:
 - Ora, marido, ele sabe mais coisas do mundo do que as pessoas que enxergam. 
O caçador ria: 
- Ha, ha, ha, o que pode saber um cego, que vive na escuridão? Ha, ha, ha... 
Todos os dias, o caçador ia para a floresta com seus alçapões, lanças e flechas. E todas as tardes, quando o caçador voltava à aldeia, o cego dizia:
 - Por favor, amanhã deixe-me ir com você caçar na floresta. 
Mas o caçador balançava a cabeça:
 - Para que serve um homem cego? 
Dias, semanas e meses se passavam, e todas as tardes o homem cego pedia: 
- Por favor, amanhã deixe-me caçar também. E todas as tardes o caçador dizia que não. 
Uma tarde, porém, o caçador chegou de bom humor. Tinha trazido para casa uma bela caça, uma gazela bem gorda. Sua mulher temperou e assou a carne e, quando eles acabaram de comer, o caçador disse ao homem cego: 
- Pois bem, amanhã você vai caçar comigo. 
Assim, na manhã seguinte os dois foram juntos para a floresta, o caçador carregando seus alçapões, lanças e flechas, e conduzindo o cego pela mão, por entre as árvores. Andaram horas e horas. Então, de repente, o cego parou e puxou a mão do caçador: 
- Psss, um leão!
 O caçador olhou ao redor e não viu nada. 
- É um leão, sim, mas está tudo bem. Ele não está faminto e está dormindo profundamente. Não vai nos fazer mal. Continuaram seu caminho e, de fato, encontraram um leão dormindo a sono solto, debaixo de uma árvore. Depois que passaram pelo animal, o caçador perguntou:
 - Como você sabia do leão? 
- É que eu enxergo com os ouvidos. 
Andaram por mais quatro horas, e então o cego puxou de novo a mão do caçador:
 - Psss, um elefante! O caçador olhou ao redor e não viu nada.
 - É um elefante, sim, mas tudo bem. Ele está dentro de uma poça d\'água e não vai nos fazer mal. 
Continuaram seu caminho e, de fato, encontraram um elefante imenso, chapinhando numa poça d\'água, esguichando lama nas próprias costas. Depois que passaram pelo animal, o caçador perguntou:
 - Como você sabia do elefante?
 - É que eu enxergo com os ouvidos. 
Continuaram seu caminho, se aprofundando cada vez mais na floresta, até chegarem a uma clareira. O caçador disse: 
- Vamos deixar nossos alçapões aqui. 
O caçador armou um alçapão e ensinou o cego a armar o outro. Quando os dois alçapões estavam armados, o caçador disse: 
- Amanhã vamos voltar para ver o que pegamos. 
E os dois voltaram juntos para a aldeia. Na manhã seguinte, acordaram cedo. Mais uma vez, foram andando pela floresta. O caçador se ofereceu para segurar a mão do cego, mas o cego disse:
 - Não, agora já conheço o caminho. 
Dessa vez, o homem cego foi andando na frente. Não tropeçou em nenhuma raiz nem toco de árvore. Não errou o caminho nem uma vez. Andaram, andaram, até chegarem à clareira em que tinham armado os alçapões. De longe, o caçador viu que havia um pássaro preso em cada alçapão. De longe, viu que o pássaro preso em seu alçapão era pequeno e cinzento e que o pássaro preso no alçapão do cego era lindo, com penas verdes, vermelhas e douradas. - Sente-se ali - ele disse. 
- Cada um de nós apanhou um pássaro.
 Vou tirá-los dos alçapões. 
O cego sentou-se e o caçador foi até os alçapões, pensando:
 - Um homem que não enxerga nunca vai perceber a diferença. 
E o que foi que ele fez? 
Deu ao cego o pequeno pássaro cinzento e ficou com o lindo pássaro de penas verdes, vermelhas e douradas. 
O cego pegou o pássaro cinzento nas mãos, levantou-se e os dois rumaram de volta para casa. Andaram, andaram, e a certa altura o caçador disse: 
- Já que você é tão inteligente e enxerga com os ouvidos, responda uma coisa: por que há tanta desavença, ódio e guerra neste mundo?
 O cego respondeu: 
- Porque este mundo está cheio de gente como você, que pega o que não é seu. 
O caçador se encheu de vergonha. Pegou o pássaro cinzento da mão do cego e deu-lhe o pássaro lindo, de penas verdes, vermelhas e douradas. 
- Desculpe - ele disse. 
Os dois continuaram andando, e a certa altura o caçador disse: 
- Já que você é tão inteligente e enxerga com os ouvidos, responda uma coisa: por que há tanto amor, bondade e conciliação neste mundo? 
O cego respondeu: 
- Porque este mundo está cheio de gente como você, que aprende com seus próprios erros. Os dois continuaram andando, até chegarem à aldeia.
 E, a partir daquele dia, quando alguém perguntava ao cego:
 - Como é que você consegue saber tanta coisa, sem enxergar?, 
Era o caçador que respondia: 
- É que ele enxerga com os ouvidos... e ouve com o coração. 
Conto da África Ocidental De Hugh Lupton, do livro “Histórias de Sabedoria e Encantamento”


 

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A Princesa que tudo via


A Princesa que tudo via
Era uma vez uma princesa que conseguia tudo o que queria. É que, no alto da torre mais antiga de seu palácio, havia uma sala circundada por doze janelas mágicas. Através delas, a princesa podia ver qualquer coisa que se passasse no seu reino e até mesmos nos reinos de além-mar. Bastava pensar no que queria ver e olhar por uma das janelas; se a primeira delas não lhe mostrasse nada é porque o que procurava estava muito longe ou muito bem escondido. Mas logo na segunda ou na terceira janela aparecia a imagem desejada. As janelas revelavam desde as alturas inatingíveis das nuvens às profundezas da terra e do mar. Nada escapava á princesa: ninguém saia do seu reino sem que ela soubesse, nenhum inimigo se aproximava sem que ela estivesse prevenida. Assim, era natural que seu poder se tornasse cada vez maior e que muitos príncipes pretendessem se casar com ela.
A princesa, todavia, não encontrava nenhum pretendente à sua altura. É bom dizer que, com tanto poder, ela se tornara um pouco arrogante, cheia de si. Decidiu, então, lançar um desafio: aquele que conseguisse se esconder dela, pelo menos uma vez, se tornaria o seu príncipe consorte.
Os príncipes e outros nobres foram os primeiros a se apresentar. A princesa dava a todos eles três chances. A cada dia podiam tentar um esconderijo diferente. Somente no final do dia, ao pôr-do-sol, a princesa subia à torre e consultava suas janelas.
Um dos príncipes pretendentes ouvira falar que “nada mais escondido que agulha no palheiro”, e, seguindo à risca a idéia, entrou num paiol de milho e cobriu-se de palha de tal maneira que nem mesmo as galinhas que ali vierem ciscar deram pela sua presença. Mas bastou a princesa olhar pela primeira janela e ele foi descoberto.
O príncipe não se deu por vencido: no dia seguinte, mandou que seus servos cavassem no sono um túnel profundo, onde ele ficou bem escondido, coberto de pedras. E já quase ia se sufocando quando a princesa, no fim da tarde, olhou pelas suas janelas e mandou buscar.
Como ultima tentativa, o príncipe tomou um navio e navegou para uma ilha distante. A princesa olhou pela primeira janela e nada viu; olhou pela segunda e nem precisou chegar à terceira para mandar um emissário dizer ao infeliz pretendente que suas chances estavam esgotadas.
E depois dos nobres vieram os plebeus. Cada um inventava um esconderijo mais extravagante, porém poucas vezes a princesa precisou chegar à segunda janela para descobri-lo. Um a um os pretendentes foram sendo dispensados.
Um dia, um jovem e bravo soldado que voltava de uma guerra num país distante, ouviu falar da princesa. Atraído pelo desafio, decidiu ir até o palácio e tentar sua sorte.
No meio do caminho, deparou-se o soldado com um carneirinho que balia desesperado, preso nos arames farpados de uma cera. O rapaz desembaraçou-o com cuidado. Vendo-se livre, o agradecido animal assim lhe falou:
- Eu sou o príncipe dos carneiros. Meu pai, o rei, gostará de recompensá-lo. Pegue esse punhado de lã e, quando precisar de mim,esfregue-o,chamando-me.
O soldado ficou maravilhado com o que ouviu, guardou a lã e seguiu em frente. Logo adiante, encontrou uma águia que tentava se livrar de uma armadilha. Cuidadosamente ele a soltou e ouvi dela o seguinte:
- Eu sou a rainha das águias e você me salvou. Se um dia precisar de ajuda, esfregue esta pena e chame por mim.
O jovem agradeceu o presente e continuou seu caminho. Logo antes de chegar ao palácio, sua atenção foi atraída por uma formiga que se debatia numa poça d’água. Salvando o bichinho de morrer afogado, mais uma vez ele ouviu:
- Eu sou a rainha das formigas. Guarde esta folha e, se precisar de algo, esfregue-a e chame por mim.
O soldado guardou também a folha com cuidado, logo chegou ao palácio e pediu para ser apresentado à princesa. No dia seguinte, começou a procurar um lugar para se esconder, porém todos os esconderijos lhe pareciam óbvios. Lembrou-se então do carneirinho. Esfregou o punhado de lã e pediu ajuda para esconder-se.
Na mesma hora apareceu um rebanho de carneiros. O próprio soldado, maravilhado, viu-se transformado em carneiro e misturado ao grupo.
Ao pôr-do-sol a princesa subiu à torre. Olhou pela primeira janela e nada viu. A segunda janela, porém, mostrou-lhe o carneiro e a princesa soube que era ele o pretendente. Na manha seguinte, retomando a forma humana, o soldado se apresentou à princesa, que lhe disse:
- Entre os carneiros, tu eras o que ficava junto ao pequenino.
O rapaz reconhecendo que fora descoberto, saiu do palácio, dirigiu-se à orla da floresta, esfregando a pena mágica, chamou pela águia.
Imediatamente a rainha das águias apareceu e transportou-o pelos ares. Levou-o até a mais escarpada das montanhas, transformou-o num ovo e misturou-o aos demais ovos de seu ninho. Depois, ajeito-se por cima deles, cobrindo-os todos e dali não saiu o dia inteiro.
Naquela tarde, quando a princesa consultou a primeira janela, nada pôde descobrir; e nem na segunda, mais a terceira mostrou-lhe o ninho. No dia seguinte, o soldado, apresentou-se a ela, ouviu:
- Entre todos os ovos da águia, tu eras o que ficava mais no centro.
Vencido mais uma vez, o jovem saiu do palácio, procurou um lugar isolado e, esfregando a folha, sua última esperança. Chamou pela rainha das formigas.
- Desta vez – disse ele, depois de lhe contar sua história -, você tem de pensar num esconderijo muito, muito especial. Nada escapa aos olhos da princesa!
- Nada? – duvidou a formiga. – Pois eu sei de algo que ela não vê!
E, transformando o rapaz numa formiguinha, levou-o até os aposentos da princesa.
- Dê um jeito de esconder-se dentro do vestido – aconselhou a formiga. E desapareceu.
O soldado, agora formiga, observou bem a princesa e suas sete pesadas saias. E achou melhor subir pelo vestido dela e escorregar pelo decote. E ali, dentro do corpete da princesa, ele ficou quietinho, esperando o dia passar.
Quando a tarde chegou, a princesa subiu à torre. Olhou pela primeira janela e nada pode vislumbrar, olhou pela segunda e também nada viu. Tampouco a terceira mostrou-lhe alguma coisa e a princesa, já inquieta, passou à quarta janela. E assim foi, de janela em janela, até chegar à décima segunda. Entretanto, por mais que olhasse, ela não conseguia enxergar o que queria.
A noite toda ela passou a consultar as janelas. Em vão. Quando os primeiros raios de sol iluminaram a torre, a princesa, irritada, gritou:
- Desisto! Pode aparecer, que eu me caso com você!
O rapaz saiu, então, de dentro do vestido dela, desceu ao chão, e retomando sua forma humana, confessou à princesa seu esconderijo.
A princesa quis brigar, mas acabou rindo, divertida com a história. O casamento foi realizado naquele mesmo dia e os dois foram sempre, sempre felizes.



Os sons do silêncio

 






CURSO – “HORA DO CONTO”

 

Os sons do silêncio

 

Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande mestre com o objetivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa. 

Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou sozinho para uma floresta. 

Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta. 

Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir. 

Então disse o príncipe: 

"Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus..."

E ao terminar o seu relato, o mestre pediu que o príncipe retornasse a floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível. 

Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do mestre, pensando: 

"Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..." 

Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... mas não conseguiu distingir nada de novo além daquilo que havia dito ao mestre. 

Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. 

E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. 

Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. 

Pensou: "Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse..." 

E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. 

Queria ter certeza de que estava no caminho certo. 

Quando retornou ao templo, o mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir. 

Paciente e respeitosamente o príncipe disse: 

"Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite... "

O mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse: 

"Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa.
Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender as reais necessidades de cada um. 
A morte do espírito começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem no que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais.
É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano..."

 

 

http://www.metaforas.com.br/os-sons-do-silencio

 

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quarta-feira, 10 de junho de 2015

ALFABETIZAÇÃO Alfabetizada, sim ou não? Toda criança deve estar plenamente alfabetizada aos 8 anos. Mas nem sempre isso acontece. Como resolver esse problema?

Uma das frases mais repetidas por educadores é: nenhuma criança deve ser deixada para trás. Ela dá a entender que existe, sim, uma idade ideal para que a aprendizagem aconteça de modo a que toda criança, mesmo respeitado seu ritmo próprio, seja capaz de acompanhar o grupo a que pertence. Entretanto, pesquisas têm demonstrado que a defasagem existe desde o início do Ensino Fundamental, base da educação, quando a criança de oito anos completos não se mostra muitas vezes capaz de ler um texto simples e escrever frases curtas - e deveria! 

AlfabetizaçãoEspecial Alfabetização 
Dicas e informações para melhorar a aprendizagem da leitura e escrita de crianças e adultos.

 

Por que isso acontece? "Alfabetização é um processo cognitivamente lento, e linguisticamente também", explica a educadora Magda Soares, um dos nomes de maior prestígio no assunto no País. "O primeiro contato deve ser feito durante a Educação Infantil, mas não é o que tem acontecido no Brasil, onde há uma resistência em introduzir a criança na alfabetização desde o início de vida escolar, optando apenas em orientá-la socialmente". E o que seria, nesse caso, introduzir? "A criança é levada a perceber que as palavras escritas no livro que a professora transforma em sons quando lê para ela são formadas por letras, e que as letras representam sons da fala", detalha Magda. Dessa forma, a criança ganha consciência desde cedo de que a fala é um conjunto de sons, que vai registrar mais tarde com a escrita.


De acordo com o último Plano Nacional de Educação (PNE), crianças devem estar alfabetizadas até os oito anos, mostrando-se "... capazes de ler e escrever um pequeno texto, e de fazer inferências a respeito, o que atesta a compreensão sobre o que leram", realça Inês Kisil Miskalo, gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna, em São Paulo. Ou ainda, como detalha oficialmente o PNAIC (Plano Nacional pela Alfabetização na Idade Certa): "Estar alfabetizado significa ser capaz de interagir por meios de textos escritos em diferentes situações; ler e produzir textos para atender a diferentes propósitos - a criança alfabetizada compreende o sistema alfabético de escrita, sendo capaz de ler e escrever, com autonomia, textos de circulação social que tratem de temáticas familiares ao aprendiz". Porém, segundo os resultados da Prova Brasil de 2012, apenas 30% dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental (ou seja, crianças de oito anos, em sua maioria) demonstraram ter aprendizagem adequada em escrita - muito longe, portanto da meta oficial.


O que isso significa na prática escolar? A criança, que apresenta dificuldades, não consegue acompanhar as atividades que o professor dá para a classe, o professor diz que o problema não é dele, mas sim da família que, por sua vez, devolve para a escola a culpa pela situação. Ou seja: nem escola nem família assume a responsabilidade, deixando a criança sozinha, logo ela, a personagem central de um processo em andamento, o da alfabetização. E o mais importante é que "o fracasso, em 99% dos casos, não é do aluno, mas sim de como se trabalhou com ele", diz Inês Kisil Miskalo, do Instituto Ayrton Senna.


Quando a alfabetização não aconteceu como manda o figurino, a criança fica bem para trás do desempenho do seu grupo. Começa - e de modo cascata - a não aprender o que deveria, seja em língua portuguesa, seja do que dela deriva: afinal, até para resolver uma conta de matemática ela terá de ler e compreender o enunciado. Assim, o que parece ser problema exclusivo de uma criança se torna problema do Brasil. Em redes públicas de ensino espalhadas País afora, mais de 30% dos alunos estudam em séries fora da idade ideal no Ensino Fundamental, sendo mesmo possível que até 60% desse total demonstre não terem sido alfabetizados corretamente. 
Como reverter essa situação? Para Inês Kisil Miskalo, do Instituto Ayrton Senna, é vital investir na formação dos professores alfabetizadores, que "têm dificuldade em lidar com o que acontece em sala de aula, pois foram trabalhadas na universidade muito mais na teoria do que na prática, e é justamente de prática que eles precisam ao tratar da alfabetização de uma criança". E, se muitos professores ainda não conseguem superar as dificuldades que atrapalham a criança no contato com as primeiras letras, o que dizer da família? Como detectar os sinais de que algo deu errado, melhor, não está correndo como deveria, ajudando a escola a diagnosticar a alfabetização do seu filho? A seguir, dicas de como os pais devem proceder no dia a dia a partir da experiência das especialistas e assim terem controle sobre o andamento do aprendizado, tanto da leitura quanto da escrita. Lembrem-se: criança bem alfabetizada é criança preparada para nunca mais parar em sua vida de estudante.